<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2550938155533971779</id><updated>2012-02-16T18:14:47.147-08:00</updated><title type='text'>Setembro</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://meusetembro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2550938155533971779/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusetembro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Setembro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09387229359235834869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SLlp39oI5vI/AAAAAAAAAFg/gMjbN5XX-uE/S220/Rembrandt-25.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2550938155533971779.post-8992002077250216035</id><published>2008-09-05T04:57:00.000-07:00</published><updated>2008-09-05T05:16:16.621-07:00</updated><title type='text'>As cartas</title><content type='html'>&lt;img style="BORDER-RIGHT: #ffffff 0px solid; BORDER-TOP: #ffffff 0px solid; MARGIN: 8px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: #ffffff 0px solid" alt="cartas" src="http://farm1.static.flickr.com/94/220496470_7a2e69b664.jpg?v=0" align="left" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma noite em que a Dona Ruth escreveu 23 cartas para o estrangeiro, ao fim de uma das longas sessões de escrita de cartas encomendadas pela sua amiga Filipa, uma senhora solteira com o dobro da sua idade. Dona Filipa era religiosa e amiga dos padres, não tinha filhos; era uma mulher dada e estimada por todos na Cidade de S. Pedro. A maior parte das suas dezenas de afilhados vivia no estrangeiro, e eram os destinatários das suas missivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas passavam horas, dias, semanas, meses e anos mergulhadas naquele ritual. Cada carta, um rosto, cada história, novas nuances. A acompanhar Dona Ruth nessas sessões de escrita que iniciavam pela tarde e invariavelmente entravam a noite, estava sempre a sua filha Patrícia: a menina que cresceu naquele ambiente de confluência de tempos e de lugares. Foi um pouco dessa forma que Patrícia começou a ter contacto com o mundo mais ao largo, e tendo esse universo como pano de fundo, aprendeu a sonhar. A mãe Ruth, além de enfermeira, catequista, e uma espécie de activista sócio-comunitária, tinha essa doce responsabilidade: escrever cartas de várias famílias da cidade de S. Pedro. Aqueles que podiam se deslocavam à sua casa, os mais idosos recebiam a sempre aguardada visita da Ruth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, Patrícia começou a seguir as pegadas da mãe: escreveu cartas alegres, tristes; cartas que davam conta de agruras, de necessidades materiais, mas também de alegrias, de saúde e de esperança de boas azáguas.&lt;br /&gt;As cartas que chegavam eram também uma espécie de tónico para os sonhos da Patrícia. A jovem de imaginação esvoaçante conseguia descortinar, nas frases que lia, rostos e avenidas em cidades estrangeiras... Terras para onde sempre chegavam as respostas. Vivências em letras que preenchiam algures a motivação existencial e onírica da jovem. Cartas de gentes simples com vidas difíceis que fizeram da Patrícia um poço de muitas estórias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2550938155533971779-8992002077250216035?l=meusetembro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusetembro.blogspot.com/feeds/8992002077250216035/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2550938155533971779&amp;postID=8992002077250216035' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2550938155533971779/posts/default/8992002077250216035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2550938155533971779/posts/default/8992002077250216035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusetembro.blogspot.com/2008/09/as-cartas.html' title='As cartas'/><author><name>Setembro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09387229359235834869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SLlp39oI5vI/AAAAAAAAAFg/gMjbN5XX-uE/S220/Rembrandt-25.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2550938155533971779.post-207399883545427870</id><published>2008-08-30T09:11:00.000-07:00</published><updated>2008-09-05T05:37:17.125-07:00</updated><title type='text'>Há tempo que nunca passa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SMEkoMaXmlI/AAAAAAAAAF4/-_JLyJD8r9k/s1600-h/magrite04[1].JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242511714181159506" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SMEkoMaXmlI/AAAAAAAAAF4/-_JLyJD8r9k/s320/magrite04%5B1%5D.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santa Lúcia era uma cidade pacata, mas tinha cinema três vezes por semana. A qualidade dos filmes era duvidosa, e os frequentadores da tosca sala, na sua maioria, tinham uma preferência desmesurada por tramas de acção, a ponto dos seus gestos e piropos concorrerem, em grau e número, com os burlescos golpes dos lutadores na tela. Os gritos e os comentários inoportunos desse público faziam parte do ambiente, e os espectadores menos comuns, como a Letícia e o seu professor Gonçalo, estavam obrigados a fingir-se de distraídos nos seus assentos, ou a ensaiar um sorriso cordata de vez em quando.Letícia era espectadora assídua dos filmes. Aquilo tudo a impelia para um mundo imaginário, mais ao largo, que acreditava poder descobrir e explorar. Nunca estava ali diante dos filmes que raramente a tocaram, mas algures para onde a sua imaginação esvoaçante a conseguia transportar. Gonçalo, jovem, bonito, solteiro e inteligente era o professor preferido da Letícia, amigo a ponto de suscitar em terceiros outras leituras.Os dias e as semanas beiravam, para os dois, a uma intensa e agradável mesmeidade: Letícia e Gonçalo juntos a caminho do liceu, na biblioteca municipal, no cinema, na praça a conversarem sobre a capital, filosofia, Paris, que ele conhecera e ela não, a trocarem discos de Jacques Brel, Elsa Lunghin, Phil Collins, Mark Knopfler e Jean Jacques Goldman.Gonçalo estava de regresso à Santa Lúcia, e Letícia tencionava partir, mas a situação nunca fora motivo de desencontros entre ambos, pois tinham o poder de viver em instantes a imensidão.Letícia partiu, como projectara, e foi obrigada a abandonar a rotina mais apetecível de que algum dia tivera, mas Gonçalo permaneceu na Cidade. Os anos se passaram e ambos se fizeram, seguindo as pegadas dos próprios destinos.Os filhos, os amores e as novas responsabilidades ocuparam o espaço daqueles anos de amizade cúmplice que a memória se encarregou de perpetuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;imagem: magrite&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2550938155533971779-207399883545427870?l=meusetembro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusetembro.blogspot.com/feeds/207399883545427870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2550938155533971779&amp;postID=207399883545427870' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2550938155533971779/posts/default/207399883545427870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2550938155533971779/posts/default/207399883545427870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusetembro.blogspot.com/2008/08/h-tempo-que-nunca-passa.html' title='Há tempo que nunca passa'/><author><name>Setembro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09387229359235834869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SLlp39oI5vI/AAAAAAAAAFg/gMjbN5XX-uE/S220/Rembrandt-25.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SMEkoMaXmlI/AAAAAAAAAF4/-_JLyJD8r9k/s72-c/magrite04%5B1%5D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2550938155533971779.post-7830638676433926955</id><published>2008-08-29T04:55:00.000-07:00</published><updated>2008-09-05T05:36:47.506-07:00</updated><title type='text'>As memórias de Patrícia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SMEmTdV3SlI/AAAAAAAAAGA/4mU5JUMGZDk/s1600-h/magrite_armario[1].JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242513556971670098" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SMEmTdV3SlI/AAAAAAAAAGA/4mU5JUMGZDk/s320/magrite_armario%5B1%5D.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SLflsuBXFCI/AAAAAAAAADE/9AjDCSUXRcQ/s1600-h/Femme-aux-phlox_+Albert-Gleizes_1910[1].JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre vivi entre o interior e a cidade". Assim respondia Manuel António às múltiplas situações de conversa e desoras a que todo homem perto da terceira idade está envolvido. Era calceteiro invicto, e mesmo quando não havia obra certa, rumava às seis da manhã à cidade das calçadas para comprar as frutas da época, e trocar dois dedos de prosa com os seus confrades. Estes, estivadores, tabaqueiros, pescadores e reformados do carreto, nunca perdiam o élan de abordar os temas eternos como as azáguas, a crise crustácea do mar, a doença de um confrade, e a morte de um mortal do seu tempo. Todo aquele cenário era de um profundo saudosismo, mesmo dos tempos em que se morria à míngua, da época em que irmãos e amigos partiram para São Tomé para o contrato nas roças. Manuel António era um homem de altura mediana, corpo firme, usava umas calças de pano de boca sino, e umas sandálias a lembrar o típico preto velho do tempo dos cativeiros, embora abdicasse do chapéu e do cachimbo. Mas a alma era de um preto velho.&lt;br /&gt;Entre as conversas e umas rondas pelos mesmos locais da cidade, Manuel António nunca dispensava um café às 10 horas em casa de Joana, uma senhora mais velha, corpulenta, e dona de todas as memórias: Joana estivera em São Tomé e nunca chegara a trabalhar nas roças, por causa da doença que a importunava, e isso constituía uma das maiores relíquias da sua estada na linha do Equador. A filha que morrera aos 4 anos nas plantações envolvia-a numa profunda melancolia de que nunca conseguira libertar. Manuel António conhecia esta e outras histórias de Joana que, entretanto, faleceu, interferindo, em partes, na sua rotina impulsiva.&lt;br /&gt;Os anos se passaram e a vida de Manuel António foi tomando rumos diferenciados. Deixou de ser calceteiro, a profissão de sua vida, e passou a ser guarda-nocturno nas lojas da cidade.&lt;br /&gt;Patrícia conhecia Manuel António em criança, e depois de anos, passara por ele e nem o breu puro da noite o impedira de a reconhecer. A voz firme e intacta do preto velho perfurava os ventos frescos da noite, e de uma berma a outra descobriram de que fora feita a vida deles pelos anos adentro. Patrícia voltara a cruzar-se com Manuel António, desta feita, num fim de tarde, hora habitual em que Manuel António passara a vir à cidade para a sua profissão de guarda-nocturno. A jovem fitou os mesmos pés largos do velho, as rugas que apenas se insinuavam, e o porte destemido de um homem que vivera entre o interior e a cidade.&lt;br /&gt;Num dia como um outro qualquer chegou à Patrícia, a triste notícia do falecimento de Manuel António. Fora encontrado tombado numas das eternas rochas em cone da Cidade de S. Pedro, depois de permanecer três dias desaparecido.&lt;br /&gt;Manuel António presenciara por aqueles dias como guarda-nocturno, um assalto, e terá sido esta a causa da sua morte na cidade em que vivera e ajudara a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;imagem: magrite&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2550938155533971779-7830638676433926955?l=meusetembro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusetembro.blogspot.com/feeds/7830638676433926955/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2550938155533971779&amp;postID=7830638676433926955' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2550938155533971779/posts/default/7830638676433926955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2550938155533971779/posts/default/7830638676433926955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusetembro.blogspot.com/2008/08/estrias.html' title='As memórias de Patrícia'/><author><name>Setembro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09387229359235834869</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SLlp39oI5vI/AAAAAAAAAFg/gMjbN5XX-uE/S220/Rembrandt-25.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_G76ctztFtdE/SMEmTdV3SlI/AAAAAAAAAGA/4mU5JUMGZDk/s72-c/magrite_armario%5B1%5D.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
